10 Mudanças trazidas pelo digital que desafiam o pensamento tradicional (Parte 1)
Nesse post eu vou expandir e comentar o que apresentei no Episódio 04 da Série de Podcasts #Pense Digital e Projete seu Futuro Profissional.
As mudanças trazidas pela revolução digital não podem mais ser negligenciadas. A apropriação ágil das novas tecnologias e a inovação sistêmica estão redesenhando nosso mundo e as relações entre governo, mercado, ciência e sociedade.
Quando atuamos por trás das telas que usamos, concebendo novos produtos e serviços a fim de atender a esse novo consumidor cada vez mais exigente, é essencial desenvolver o Mindset Digital, trabalhar de forma cocriativa e desenvolver o pensamento sistêmico, nada intuitivo e muito elaborado, que exige a orquestração minuciosa dos princípios e fundamentos associados à cultura digital.
Ao demonstrar como essas 10 mundanças desafiam o pensamento tradicional e se conectam à nova mentalidade digital espero poder te ajudar a adquirir fluência no debate sobre a transformação digital e seus impactos sobre as pessoas e sobre o futuro do trabalho.
1 – Conexão Distribuída
Considero a Conexão Distribuída a base do Ser Digital. E para você entender melhor, defino o Ser Digital como meu princípio fundamental:
Ser Digital é o que nos torna capazes de, quase instantânea, gratuita e perfeitamente, nos conectarmos com pessoas, dispositivos e objetos físicos em qualquer lugar de forma mais distribuída e/ou descentralizada.
Eu mesmo, adaptado de uma pesquisa do McKinsey Global Institute e de um monte de ideias que as pessoas estão postando por aí
Interessante pensar que a melhor forma que encontrei de explicar esse princípio é retomar o conceito de Topologia das Redes, de Paul Baran que data de 1964.

Considere que cada ponto em cada um dos gráficos é uma pessoa e que a rede centralizada é aquela que a gente está mais acostumado a ver por aí. Por exemplo considerando as mídias de massa poderíamos dizer que o ponto central da rede centralizada pode ser um canal de televisão, um jornal, uma rádio transmitindo informações para todas as pessoas que estão em volta dela.
Se a gente olhar bem para a rede descentralizada, ela nos remete ao modelo de uma organização qualquer, uma empresa, uma igreja, um órgão público, quer dizer, cada um dos pontos centrais que conectam vários outros pontos poderia ser uma diretoria, ou seja, um pequeno hub com pessoas orbitando em volta. Cada setor um pequeno silo de informações. Até aqui tudo normal como fomos à vida toda acostumados a nos agregar.
Quando surge a internet e, principalmente as redes sociais, uma nova configuração de rede passa a prosperar, a rede distribuída, cujo conceito é que cada um dos pontos pode acessar diretamente qualquer um dos outros. De fato o desenho aqui reproduzido é de certa forma “fake” pois como não há diferença na distância entre os pontos e cada um pode se conectar com qualquer outro, o desenho real da rede seria um emaranhado de segmentos que por sua densidade pintaria o gráfico todo de preto.
E o que siginifica participar de uma rede distribuída? Vou exemplificar com o que aconteceu comigo ao chegar aqui em Israel.
Quando eu cheguei aqui fui morar em Haifa, no norte de Israel, que é um dos 4 grandes pólos high tech do país. Foi muito fácil conhecer várias pessoas que trabalham na área hi-tech e uma dessas pessoas, foi um brasileiro que já tá aqui aos 25 anos é CEO de uma startup de marketing de influência, trabalha com inteligência artificial e é especialista em aprendizagem de máquina. Conversando com ele sobre uma visita que eu faria a uma certa startup em Tel Aviv, que estava abrindo vagas e, naquela altura, eu pensava em avaliar minhas possibilidades de me empregar por aqui, ele me disse que conhecia algumas pessoas lá e que poderia me colocar em contato. Mas logo em seguida disse que isso nem mesmo é necessário pois aqui é muito simples falar com qualquer pessoa que te interessar e esses meet ups (eventos de visita promovidos por parceiros de negócios) são abertos a interessados com pouquíssima burocracia para participar.
Essa coisa para mim foi muito impressionante de ver como a distância das pessoas aqui em Israel é muito pequena e aqui essa cultura das redes distribuídas já está disseminada e não tem muita hierarquia nos lugares. Cheguei lá e fui recebido por um um cara que foi apresentar a empresa e ele tava lá asssim completamente à vontade de chinelo calça jeans e uma camiseta surrada e apresentou a empresa pra um monte de gente que apareceu lá. Quando fui visitar a empresa ela tinha acabado de receber um aporte de 200 milhões de dólares. Hoje eles já são um unicórnio (valem mais de 1 bilhão de dolares), tem negócios no Brasil e tem aberto algumas vagas para nativos em português para cuidar do atendimento dos usuários do Brasil.
De uma maneira geral as redes sociais nos acostumaram com esse modelo de rede distribuída mas essencialmente no que se refere a contatos pessoais. A maioria das empresa no Brasil e por consequencia seus profissionais ainda não incorporaram essa mudança ao seu dia a dia no trabalho.
Você já ouviu falar numa teoria que prega que estamos apenas a 6 nós de distância de qualquer pessoa no mundo? E, abrindo um parênteses digital, que esses 6 nós poderiam ser percorridos com apenas 6 clicks? E você, ainda se surpreende com isso?
2 – Economia de Plataforma
Considerando como ponto de partida o conceito de conexão distribuída discutido até aqui, a segunda mudança, a Economia de Plataforma é hoje a principal força que catalisa a revolução social que estamos presenciando e que afeta todas as áreas do conhecimento humano.
A disseminação de plataformas digitais que viabilizam a formação de redes sociais mais distribuídas, ganha cada vez mais predominância no novo cenário social, e as redes centralizadas e descentralizadas, estão perdendo cada vez mais espaço.
À medida que essas plataformas de redes sociais vêm crescendo e também plataformas de Marketplace como a Amazon e o Mercado Livre, elas permitiram que pequenos produtores pudessem se encaixar na plataforma e vender os seus produtos e serviços diretamente para o público em geral. Ainda que o endereço da plataforma possa ser considerado um hub, ela não restringe o acesso. Você pode acessar qualquer pessoa ou empresa. No Facebook ou no Instagram você acha qualquer um e pode se conectar com todo mundo. É óbvio que conexão é uma via de mão dupla, você pode tentar se conectar mas quem está do outro lado tem que aceitá-lo.
Estamos falando de “modelos de negócios que permitem que múltiplos lados (produtores e consumidores) interajam entre si, fornecendo uma infraestrutura que os conecta, sobre os quais eles podem construir e trocar valor, e governa o mercado que se aglomera sobre eles determinando quais interações são desejáveis e quais são indesejáveis ”.
Sangeet Choudary da Platformed.info
E a partir desse novo contexto das redes distribuídas e da economia de plataforma surgiram quatro ideias-chave para experiências de serviços/produtos modernos:
1.Queremos que os serviços sejam rápidos e de controle ágil como um passeio de Uber pode ser;
2. Queremos que eles sejam personalizados como o mais recente modelo de tênis Nike onde podemos autoconfigurar vários componentes;
3. Queremos que sejam relevantes como sugestões da Amazon;
4. Queremos que sejam humanos como os chatbots com quem você pode se relacionar por linguagem natural ou, melhor, como o Host Airbnb que você pode falar via WhatsApp, sentindo que você realmente vai dormir na casa de um amigo.
Só que a evolução para esse modelo de negócio é difícil para quem ainda está atuando com certo sucesso no modelo de produção industrial.
Para que você possa entender o que os especialistas chamam de Economia de Plataforma e por que é tão revolucionária é preciso comparar os modelos de negócios tradicionais com aqueles desenvolvidos atualmente em plataformas digitais.

No modo de produção industrial característico do século passado, os meios de produção eram concentrados (fábrica) de modo a atender o mercado de massa. O modelo é intensivo em mão de obra e, em busca da economia de escala, oferece produtos e serviços padronizados.
Neste contexto o mais comum era o uso da estratégia de marketing Push (empurrar), também conhecido como marketing de interrupção, sendo o modelo preponderante nas mídias de massa como televisão, rádio, jornais, banners na lateral dos ônibus e ultimamente também em SPAMs que invadem nossa caixa de e-mails sem pedir licença.
As empresas produzem comerciais que bombardeiam nossas vistas com o objetivo de apresentar e fazer o mais conhecido possível um produto ou serviço para um público alvo, convencendo-o de sua necessidade pelo item em questão, normalmente interrompendo o consumidor no que ele está fazendo.
De modo geral, esse tipo de ação pretende capturar a atenção de alguém no meio de uma multidão, transmitindo a ação para todos independente se o público está interessado ou não em saber mais sobre o seu produto ou serviço.
Por isso a aplicação desse modelo demanda altos investimentos em publicidade para alcançar o maior número de pessoas possível e visa identificar e intensificar a divulgação dos produtos bestsellers (mais vendidos) de modo que a taxa de conversão (isto é, a quantidade de pessoas que compram o produto em relação à quantidade de pessoas que veem o comercial) seja bem justificada.
Neste modelo é pouco provável que haja investimentos contínuos em produtos que gerem baixo volume de vendas.

Até o surgimento da Internet estava tudo certo com o modelo PUSH pois as pessoas estavam acostumadas a consumir os conteúdos das mídias de massa mas agora o mundo mudou.
Os dispositivos digitais estão tomando o lugar antes ocupado pelas mídias tradicionais e neste espaço, anúncios de interrupção não tem tido vez pois o consumidor decide quando, onde e como consumir e a Internet se consolida como o principal meio de comunicação. Com um clique estamos dentro com outro caímos fora.
Hoje, grande parte dessas ações de interrupção são ignoradas pelo público que estão com a atenção voltada para outra atividade. Você usa bloqueador de pop ups?
Em um período de 10 anos (de 2004 a 2014), a Rede Globo viu cair 38% de sua audiência média.
Note que agora somos nós, os consumidores, que estamos com a faca e o queijo na mão pois uma vez que sabemos o que queremos basta acessar um mecanismo de busca na Internet como o Google, Bing, Yahoo para encontrar inúmeras opções e dentre elas, inclusive, plataformas interativas de comparação, avaliação e venda de produtos e serviços de todo tipo, muitas vezes realimentadas pelos próprios consumidores.
Uma vez que é o consumidor que vai em busca do que quer cabe aos negócios desenvolver o que é chamado de marketing Pull (puxar), ou seja, agora o modelo visa atrair somente pessoas que estão interessadas em nossos produtos ou serviços pois estão procurando por ele.
E exatamente pela centralidade nas demandas individuais de cada pessoa que está conectada em rede é que os modelos de negócio também estão cada vez mais distribuídos e suportados por plataformas digitais inteligentes as quais permitem que as organizações e até indivíduos captem essas demandas personalizadas e possam oferecer produtos e serviços sob medida.
Transição do mercado de massa para o mercado de nicho
Essa é a chamada transição do mercado de massa para o mercado de nicho que é muito bem explicada pelo gráfico da Cauda Longa, que mostra que poucos produtos genéricos de alta popularidade rendem, no acumulado, tanto quanto muitos produtos específicos com baixa popularidade.

Fonte: Platform-Design-Tookit-Whitepaper
Nessa transição para o mercado de nichos eu mesmo já estou há pelo menos dez anos falando de uma coisa só: Mindset Digital.
Desde a época que eu resolvi fazer um mestrado lá no Rio de Janeiro em 2012, eu já realizava experiências em projetos digitais e continuei trabalhando e afunilando cada vez mais o meu assunto. Eu me lembro que até aquela época a gente facilitava cursos de vários temas mas agora se quiserem me contratar mas tem que ser pra falar de Mindset Digital, porque aí eu posso aprofundar em vários aspectos. Nesse segundo semestre de 2021 facilitei cursos no TRE-MG e no TRE-PR no Paraná sobre Mindset Digital para Ecossistemas de Aprendizagem e, uma das alunas ficou intrigada e perguntou o por que desse nome para o curso pois em sua concepção o curso se tratava de aplicar novas tecnologias a cursos à distância. E aí eu expliquei que antes dessa aplicação é preciso mudar o mindset para entender o propósito e as oportunidades dessa aplicação. Engraçado que para mim é tão óbvio mas somente porque me dedico com muita intensidade ao meu propósito de desenvolver o mindset digital em equipes de projetos e por isso a gente vê que quanto mais focado e mais nichado me torno mais possibilidades tenho de entregar uma experiência única e transformadora como demonstraram praticamente todos os alunos ao final do curso.
E como é que funciona esse ecossistema de plataforma?

Os sistemas tradicionais eram fechados e proprietários. À medida que foram evoluindo foram incorporando novos componentes, no princípio construídos ainda dentro das empresas mas posteriormente módulos produzidos externamente foram se agregando até que hoje em dia o modelo de plataforma é desenvolvido com uma arquitetura aberta, cujos componentes são agregados sob demanda e produzidos por qualquer um que saiba utilizar suas APIs, que são os protocolos que permitem conectar com as interfaces do sistema que gerencia os componentes.
Hoje a gente vê que a Amazon tem sido a empresa mais valiosa do mundo não somente pela sua plataforma de e-commerce mas principalmente pela sua estrutura de serviços para criação e desenvolvimento de plataformas em nuvem que agora é oferecido para outras empresas criarem suas próprias plataformas.
A Amazon Web Services (AWS) é a plataforma de nuvem mais adotada e mais abrangente do mundo, oferecendo mais de 200 serviços completos de datacenters em todo o mundo. Milhões de clientes, incluindo as startups de crescimento mais rápido, grandes empresas e os maiores órgãos governamentais, estão usando a AWS para reduzirem seus custos, ficarem mais ágeis e inovarem mais rapidamente.
Ao invés de ter que sair do zero para desenvolver um sistema proprietário hoje você brinca de LEGO com os componentes disponíveis na plataforma.
E próxima mudança do digital que desafia o pensamento tradicional nasceu essencialmente se apropriando do modelo de plataforma para testar suas hipóteses e crescer exponencialmente modificando definitivamente os mercados em que atuam: as startups.
3 – Startups

“Startup é um grupo de pessoas à procura de um modelo de negócios inovador, repetível e escalável, trabalhando em condições de extrema incerteza.”
Algumas das maiores empresas do mundo, como Netflix, Google, Whatsapp, Facebook, PayPal, entre tantas outras, começaram como startups, com pouquíssimo dinheiro e muito risco. Testaram rapidamente seus modelos de negócios, erraram, se adaptaram e escalaram. Muito!
Elas usam essas plataformas e praticamente começam com um modelo focado em um problema específico buscando, inicialmente validar suas hipóteses e depois escalar.
É muito difícil para quem ainda opera no modelo tradicional de pensamento e com sistemas fechados entender como é que pode uma empresa sair do zero para um bilhão de dólares às vezes em menos de um ano ou dois anos.
Lembra do Angry Birds que foi um dos primeiros joguinhos de celular e que estava, de forma gratuita, em todos os celulares? Você lançava um passarinho pra derrubar alguma coisa… Em menos de um ano ele já tinha mais de 500 milhões de usuários quando eles passaram a cobrar um dólar por ano para usar um nível a mais do que a sua versão gratuita. Ele foi de zero ao faturamenteo de 500 milhões de dólares num instante e para mais de bilhão logo em seguida.
Considerando que os custos dos serviços de plataforma cada vez diminuem mais e são pagos conforme sua demanda, para criar um negócio digital não é necessário muito investimento no princípio. O Espaço Mindset Digital, por exemplo, integra diversos serviços de várias plataformas, a um custo muito viável , e que nos permite oferecer experiências incríveis de treinamento e mentoria, além de contar com uma infraestrutura de marketing de conteúdo completa.
Ainda é difícil para quem tem o pensamento tradicional entender que é possível evoluir o que estamos fazendo o tempo todo considerando a quarta mudança amplificada pela revolução digital: a co-criação como componente essencial de crescimento e de resultados extraordinários.
4 – Cocriação
Assim como eu tenho essa possibilidade de agregar as funcionalidades de plataforma que estão fora da minha organização, acessar componentes que outras pessoas os criaram e os disponibilizaram a um baixo custo devido sua escala, dessa mesma forma nós muitas vezes não temos dentro da nossa equipe todas as competências necessárias para esse novo mundo então precisamos cocriar com talentos de fora da empresa.
E mais do que isso a co-criação permite que você junte em torno de uma ideia ou de um projeto todas as partes interessadas pois agora é muito fácil, por meio dessas ferramentas colaborativas, trazer a todos para cocriar.
O Paradigma da Cocriação

No livro de OZCAN e RAMASWAMY “The Cocreation Paradigm” ( 2014), os autores defendem que:
… as interações são o novo locus de valor, impulsionadas pelas interconexões e forças da digitalização, conectividade, globalização, mídias sociais e novas tecnologias de comunicação e da informação.
Com indivíduos [sejam eles clientes, funcionários, parceiros ou outras partes interessadas] mais informados, conectados e também capacitados e ativos, o futuro da criação de valor reside em empresas que engajem indivíduos para a criação conjunta de valor.
Cocriação consiste em organizações criando resultados ‘ganha mais-ganha mais’ junto às partes interessadas – tanto externas quanto internas – individual e coletivamente, por meio de suas experiências de valor.
Segundo COUTINHO e RAMASWAMY (2013), a cocriação pode acontecer em dois sentidos:
- De fora para dentro (Cocriação Participativa)
Na abertura das atividades da empresa para a cocriação, ampliando sua base de recursos por meio de práticas baseadas em conhecimentos, ideias e soluções como crowdsourcing, colaboração em massa e inovação aberta, ou atuar em comunidades e redes sociais com os clientes para dinamizar as vendas e o marketing. Ou ainda permitir a customização pelo cliente de produtos e serviços a partir de um cardápio de ofertas.
Neste sentido da co-criação, o valor à organização vem em primeiro lugar, antes do valor à parte interessada.
2.De dentro para fora (Cocriação Interativa)
Trazendo os recursos e competências da organização para suportar a criação de uma plataforma em forma de oferta e/ou a abertura e entendimento das atividades das partes interessadas para a cocriação, por meio de práticas baseadas em coligação de partes e comunidades de espíritos afins.
Neste sentido, o valor à parte interessada vem em primeiro lugar, antes do valor à organização.
O Paradigma da Cocriação consiste em:
- Desenhar intencionalmente qualquer plataforma de engajamento para permitir uma variedade de novos ambientes de interação personalizada,
- ao articular ecossistemas com recursos e competências de cocriação provindos de arquiteturas e sistemas de gestão
- para permitir e apoiar a criação de valor individual, tanto para o contexto pessoal quanto para o contexto social-cívico-empresarial-ambiental em que os indivíduos estão inseridos, juntamente com partes interessadas,
- criando conexões com a qualidade de experiências humanas reais de engajamento por meio da plataforma,
- gerando resultados valiosos, utilizando o aprendizado experiencial, insights em tempo real e conhecimentos criados de forma acelerada
- para codesenvolver experiências humanas de valor das partes interessadas
- que expandam a riqueza, saúde e bem-estar na economia e na sociedade e
- construam um novo capital estratégico para as organizações.”
Organizações que buscam novas oportunidades de crescimento e inovação reconhecem a importância do desenvolvimento da capacidade organizacional de engajamento das partes interessadas e, sobretudo, da capacidade de aprender com os relacionamentos e interações estabelecidos.
Engajamento organizacional, portanto, nos remete a ideias, criatividade, inovação, diversidade através do relacionamento humano nas organizações (rede social). Significa que as pessoas têm um sentido de pertencimento à organização, de auto-realização com o trabalho e se dispõem a atuar com alto desempenho para atingir metas e resultados organizacionais.
Aprender a dialogar com as partes interessadas e desenvolver competências para estabelecer uma relação significativa e de confiança são fundamentais para o engajamento das pessoas em organizações que buscam desenvolver iniciativas de cocriação.
Através das plataformas de engajamento as organizações podem adotar a colaboração, a interatividade e auto-organização como novas e poderosas alavancas para reduzir custos, inovar mais rápido, criar em parceria com clientes e sócios e, em geral, fazer o que for necessário para entrar no ambiente empresarial do século XXI.
Uma vez cocriando nessas plataformas de engajamento passamos a perceber uma real mudança de perspectiva em relação ao pensamento tradicional no que se refere à escassez e passamos a enxergar novas possibilidades e abundância.
5 – O Paradigma da Abundância

A vida toda a gente foi levado a pensar que não tem para todo mundo então se não tem para todo mundo a gente tem medo que vai faltar e aí a gente compete para estocar e aí quando você retira de circulação, isso aumenta os custos e assim algumas pessoas são excluídas e logo continuamos pensando que não tem pra todo mundo.
O paradigma da escassez permeia toda nossa sociedade, desde o modelo acadêmico que prevê a diminuição das oportunidades à medida que vamos subindo os degraus da academia, passando pelo modelo de trabalho, vide a competição de funil para ocupar cargos públicos, enfim, competição, seleção e exclusão. Poucos são os vencedores enquanto a maioria se sente perdedores.
Mas após avaliar todas as mudanças que acabamos de “destrinchar” a gente começa a entender que existe o outro paradigma em que podemos sentir um fluxo mais intenso de colaboração, interação e oportunidades, ainda bem, os jovens eles estão muito mais voltados para isso.

Ou seja se imaginamos que tem para todo mundo então se a gente acredita que vai ter, e aí ao invés de competir a gente colabora para criar e aumenta o fluxo, o que diminui os custos e inclui todo mundo.
Em exemplo interessante vi em Tel Aviv no que se refere à mobilidade urbana. Cada vez mais as pessoas estão interessadas mais no acesso e não na posse. Como assim? É cada vez mais comum os jovens se deslocarem pela cidade usando bicicletas e platinetes alugados. Um modelo bem bacana que você pega o veículo em um ponto perto de casa e o estaciona em outro ponto qualquer perto do trabalho. Então assim tem pra todo mundo pois ao invés de cada um ter o seu, o que provavelmente deixaria várias pessoas de fora, o acesso ao invés da posse permite compartilhar e reutilizar o mesmo veículo ao longo do dia todo servindo uma quantidade infinitamente superior a um dono apenas e por uma mínima fração do valor de compra o veículo.
É uma coisa muito diferente essa ideia da abundância e isso vale também e é suportada pela abundância de conexões distribuídas que falamos lá no início deste artigo.
Abundâcia em oportunidades de trabalho pois já não há grandes barreiras para acessar as pessoas em suas empresas e, além disso, abundância de formatos de trabalho, uma vez que no mundo digital não faz diferença se moro perto do trabalho, afinal a internet está em todo lugar. O profissional da era digital pode trabalhar de onde quiser, ter mais autonomia na gestão do seu tempo, escolher suas melhores competências como cocriador, fazendo o que gosta e ainda ser bem remunerado por isso.
E é dessa transição, a mudança de mindset e a busca por propósito para atuar como um profissional digital relevante é que vamos tratar na segunda parte desse artigo.
6 – Habilidades Soft e Singularidade
Continua… Acesse aqui a Parte 2 desse Artigo
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