O que é mindset digital? E por que desenvolvê-lo deve ser sua prioridade?

Tempo de Leitura: 20 min

O digital é o novo normal. Não haverá volta.
A digitalização completa de nossa organização econômica e social se tornará uma estrutura permanente para manter nossa comunicação em todas as circunstâncias. E a comunicação é base da vida.

Manuel Castells

 

Quando falamos de mindset, ou mentalidade (traduzindo para o português), estamos falando de atitudes mentais que definem como encaramos a vida. E está muito claro pelo o que foi dito acima que precisamos encarar essa nova realidade trazida pela revolução digital e para isso é fundamental e urgente mudar de atitudes, ou seja, de mindset.

Há não muito tempo atrás, numa galáxia não tão distante…

Tudo parecia bem mais simples: a gente estudava, arranjava um bom emprego, seguro, estável, conseguia enxergar o caminho à frente e, à medida que o tempo ia passando a tendência era crescer naturalmente na carreira e se estabilizar na vida…

Mas o que está acontecendo? Nada disso mais faz sentido. Só se fala na tal transformação digital, na inteligência artificial que vai roubar meu emprego, nas novas startups que estão redefinindo mercados, e mais e mais INOVAÇÕES DISRUPTIVAS!

Segundo Chuck Robbins, CEO da Cisco (empresa especializada na fabricação e distribuição de soluções em equipamentos de redes de computadores com faturamento anual em torno de US$52bilhoes):

 Até 2025, 40% das empresas “FORTUNE 500” não existirão mais devido à incapacidade de adaptação aos novos tempos. E estamos falando de empresas consolidadas há décadas, como EXXON Mobil, J.P. Morgan Chase, Boeing, Coca-Cola e GM.

Não importa o tamanho, ou a empresa evolui o pensamento digital ou deixará de existir.

 

E agora? O que fazer para não ficar para trás? Ou melhor: como podemos nos antecipar para aproveitar as novas oportunidades trazidas pela Revolução Digital?

R: Acredito que a chave para nosso sucesso como profissional digital está na cocriação de valor e na forma como pensamos e atuamos nos ecossistemas digitais que construímos e/ou habitamos, ou seja, o fator mais importante e mais urgente de todos, a meu ver, consiste no desenvolvimento do nosso Mindset Digital  e na descoberta de como podemos ajudar e inspirar as pessoas com quem nos conectamos nos vários ecossistemas digitais a nossa volta.

Meu meu objetivo com este post é me conectar com você que deseja se tornar um profissional da Era Digital e que busca equilibrar sua vida pessoal e profissional, alcançar a liberdade de trabalhar de onde quiser, no seu tempo, fazendo o que faz bem e o que ama fazer e que, por fim, tenha a coragem de viver seu propósito e singularidade. Essa é minha tribo!

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Então se você decidir ler o post até o final por favor compartilhe com sua rede e faça uso dos comentários para dar seu depoimento e expressar sua opinião.

O que você vai ler neste post:

  • Estar no Digital ≠ Pensar Digital
  • Transformação Digital = Transformação Cultural » Mindset Digital
  • Comece pelo Propósito
  • Projete sua Carreira Digital
  • Meu Princípio Fundamental
  • Economia de Plataforma
  • Transição do mercado de massa para o mercado de nicho
  • Os 4 Pilares do Mindset Digital

Estar no Digital ≠ Pensar Digital

Para começar observe o que está acontecendo ao seu redor…

As pessoas estão se comunicando diretamente umas com as outras, compartilhando e dando forma própria às suas interações em redes digitais colaborativas que estão alterando modelos operacionais corporativos tradicionais.

As organizações devem lidar com esta força extremamente distribuída, aprendendo como interagir e criar junto com uma rede dinâmica e cada vez mais global de colaboradores.

Os valores, competências, ferramentas, processos e modos hierárquicos de organização do trabalho e da inovação não dão conta do nível de agilidade, criatividade e conectividade que se impõem às organizações para responder às mudanças cada vez mais constantes e disruptivas em seu ambiente de negócios.

Novos modelos de gestão nas organizações exigem novas habilidades dos profissionais que precisam se tornar aptos a trabalhar em rede, a se apropriar das novas tecnologias e a buscar maior flexibilidade para atuar com mais autonomia e atitude empreendedora em processos interativos com as partes interessadas internas e externas da organização.

É certo que todos nós já estamos bem acostumados a sistemas e aplicativos digitais e muitos de nós dizem: Eu!? Estou no Face, no Youtube, no Insta, no Whatsapp, no Zoom…

Estar no digital não significa necessariamente pensar digital. Digo isso porque estar no digital é quando somos expostos às experiências dos consumidores de tecnologia e serviços digitais. Toda boa experiência é simples, interativa e intuitiva.

Mas pensar digital é estar por trás das telas que usamos, concebendo os produtos e serviços num trabalho nada intuitivo e muito elaborado que exige a orquestração minuciosa dos princípios e fundamentos do Mindset Digital.

 

Transformação Digital = Transformação Cultural » Mindset Digital

E quer saber mais, no mundo inteiro as empresas já sabem que precisam fazer sua transformação digital, no entanto…

70% das iniciativas de Transformação Digital falham.

Mike Connor, Silicon Valley Innovation Center – Analista Principal

 

Especialistas estimam que as empresas desperdiçaram cerca de US$ 900 bilhões em 2018 em projetos de transformação digital fracassados (em torno de 70% de todos os projetos).

Ainda assim, as organizações gastaram mais de US$ 2 trilhões em transformações digitais em 2020.

Segundo o estudo The Digital Culture Challenge, realizado pelo Capgemini Digital Transformation Institute:

“62% dos respondentes consideram a cultura corporativa o principal obstáculo para a transformação digital”.

Acho que já deu pra entender que, apesar de ser essencial e urgente, a transformação digital não é nada trivial e tanto as empresas quanto as pessoas andam batendo cabeça nesse sentido.

E são vários os motivos e justificativas para adiar, evitar ou negligenciar esse tipo de projeto:

  • Minha empresa ainda está no jogo. Fazendo tudo como sempre fizemos ainda temos produtos de sucesso e conhecemos muito bem nosso mercado. Sabemos que será importante num futuro próximo mas ainda não é urgente incorporar essas novas tecnologias e novas formas de interação com nossos clientes. Lembre-se que a Kodak, a Blockbuster e as cooperativas de taxi pensavam assim até serem varridas por novos competidores com modelos de negócio digitais e disruptivos.

 

  • Nossos processos internos ainda não são digitais e ainda não tomamos decisão baseada em dados mas já estamos cuidando disso. Temos um website, fazemos vendas online e estamos também nas redes sociais para divulgar nossos produtos e serviços e interagir com nossos clientes. Até que o digital esteja no centro de tudo, o risco de se tonar parte da história só vai aumentar.

 

  • E outras versões de desculpas para justificar a aversão a mudanças:
    • A correria é tanta que não podemos nos dar ao luxo de parar o que estamos fazendo para mudar a forma de pensar e operar. E além de dar muito trabalho não temos garantia nenhuma que vai ser melhor do que está hoje.
    • Tecnologia é muito cara e não temos em nossa equipe pessoas com perfil e competências necessárias para liderar essa mudança.

 

  • No âmbito pessoal, a própria natureza do cérebro humano é resistente a alterações de hábitos e por isso é difícil adotar novos conceitos e práticas em qualquer esfera da vida em sociedade, incluindo aí o ambiente profissional.

Quaisquer que sejam os motivos e justificativas, na minha opinião, existe uma questão central, mais profunda e muito mais importante para o sucesso ou fracasso de qualquer iniciativa digital, que muitas vezes passa despercebida:  a transformação digital não acontece sem a transformação cultural e esta última depende essencialmente da evolução do  mindset digital que é exclusivamente pessoal e que, para ser saudável e consistente, deve começar pela escolha consciente de um propósito pessoal e profissional.

Para simplificar: sem clareza de propósitos e, por consequência, dos princípios e fundamentos que os sustentam, não há como perceber o valor que será gerado pela transformação e nossa reação natural é resistir com unhas e dentes à qualquer mudança que não faça nossos olhos brilharem e nosso coração cantar. Isto acontece porque nosso cérebro é programado para economizar energia na tomada de decisões, ou seja, se não conseguimos fazer o link entre o custo/benefício da transformação, a tendência natural é manter inalterados nossos circuitos mentais.

A conscientização do propósito, além de ajudar a hackear nosso cérebro para considerar a adoção de novos circuitos mentais e para aceitar o esforço decorrente da transformação pela percepção clara dos benefícios futuros, ainda traz a oportunidade de sintonizar esses esforços no desenvolvimento de habilidades e competências que importam.

Comece pelo Propósito

Para explicitar seu propósito você precisa responder:

Qual é o seu problema?

Se há propósito existe um objetivo a alcançar e qual é o problema que você se propõe a resolver para atingir seu propósito?

Vou tentar te ajudar a aterrissar tudo isso que falamos até agora contando um pouco da minha história e de como eu me conscientizei do meu propósito e respondi à minha pergunta.

Construí minha experiência profissional ao longo dos últimos vinte anos trabalhando em centenas de projetos de sistemas de informação usando vários chapéus: de desenvolvedor, gerente, consultor em e-business, analista de tecnologia do negócio, gestor da área de educação corporativa e facilitador em treinamentos de líderes e equipes multidisciplinares.

Trabalhei em e para organizações públicas e empresas de abrangência nacional como Tribunal Regional Federal da 2ª Região, Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, Vivo, Xerox do Brasil, Warner Music, Amsterdam Sauer, United International Pictures, Globo.com, Senac-RJ, Vale do Rio Doce, Bradesco Seguros, entre outras.

Note que dei tiro pra tudo quanto é lado porque naquela época ainda não tinha uma noção muito clara do meu propósito. As oportunidades iam aparecendo e eu passava o rodo acreditando que quanto mais experiências e mais dinheiro na conta melhor. Eu me tornei um verdadeiro especialista em generalidades e apesar de cada um desses trabalhos estarem relacionados a projetos digitais, a multiplicidade de papéis e de contextos sempre me deixavam exausto e apenas vendendo meu tempo nem sempre conseguia obter os ganhos que imaginava e não foram poucas as vezes que não via a hora dos projetos terminarem.

E talvez, pela minha própria cobrança de alto desempenho, ao longo e depois de cada projeto me sentia compelido a fazer uma análise profunda do trabalho realizado, buscando entender melhor o seu contexto e os fatores que o levaram a prosperar ou fracassar.

Era óbvio que, quanto mais claras suas diretrizes estratégicas, equipes competentes para seu desenvolvimento, incentivos essenciais ao alinhamento de expectativas, recursos necessários para alavancar suas várias etapas e um plano de ação consistente; tudo isso propiciava o engajamento de todos os envolvidos e, assim, maior probabilidade de sucesso.

Mas mesmo com todos esses ingredientes, não foram poucos aqueles projetos que, mesmo concluídos “com sucesso”, naufragaram pouco tempo depois.

Principalmente em se tratando de projetos que propunham soluções digitais inovadoras ou que automatizavam processos de trabalho até então manuais. Ambos os tipos de projeto hoje inseridos no pacote de mudanças essenciais e inadiáveis chamado de Transformação Digital.

E a cada projeto, tudo isso ia me intrigando cada vez mais…

Cheguei a uma conclusão interessante: a alta produtividade da equipe e o sucesso desse tipo de projeto surgem quando as pessoas, individual mas principalmente coletivamente, aprendem a cocriar valor de forma simples e espontânea por meio de plataformas digitais de engajamento.

E eu também percebi que uma das minhas habilidades mais fortes e de que mais gosto é exatamente a capacidade de orientar e desbloquear o potencial das pessoas para se apropriarem das tecnologias digitais e cocriar, em equipe, soluções digitais de sucesso.

Opa! Essas percepções faziam meus olhos brilhar e meu coração cantar. Deu match! Agora estou consciente do meu propósito, ou seja, pude responder à pergunta sobre o problema que quero resolver:

Eu ajudo as pessoas a desbloquear seu potencial para se apropriarem das tecnologias digitais para cocriar, em equipe, soluções digitais de sucesso.

 

Projete sua Carreira Digital

E o que isso significou na prática?

Significou que para mudar era necessário enxergar onde estava e aonde eu queria chegar para, a partir daí, iniciar o percurso.

Assim, nos últimos dez anos, dei uma guinada em minha carreira para atuar prioritária e quase que exclusivamente em processos de aprendizagem relevantes ao mindset para o mundo digital e aprofundei meus estudos e experiências sobre transformação digital, futuro do trabalho, organizações em rede e ecossistemas digitais para cocriação de valor.

Trabalhei com ênfase na apropriação de tecnologias interativas web, preferencialmente de código aberto, gratuitas ou de baixo custo, para o desenvolvimento de abordagens baseadas em comunidades, colaboração e autoorganização (tema da minha pesquisa de mestrado).

Como resultado da pesquisa desenvolvi um modelo de ecossistema digital para cocriação interativa, com ênfase no uso de plataformas digitais de engajamento, o qual permite a qualquer colaborador de uma organização se apropriar de ferramentas e serviços web para cocriar iniciativas virtuais espontâneas (que nascem do desejo de um indivíduo ou grupo de desenvolver processos interativos com seus pares e/ou com as demais partes interessadas internas e/ou externas da organização).

Enfim, fiz diversos experimentos cocriativos utilizando esse modelo e, com resultados incríveis. Tudo isso como consultor e mentor de equipes de projeto e dentro das organizações.

E agora estou expandindo o alcance do meu propósito com a fundação do Espaço Mindset Digital que se destina, prioritariamente, à realização do meu propósito ajudando diretamente as pessoas a desenvolverem o mindset que importa para se tornarem profissionais da Era Digital.

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Você deve estar pensando: Tá tudo muito bom,bom… Tá tudo muito bem, bem… Mas realmente, realmente me explica aí o que é o danado do mindset digital.

 

Vamos lá.

 

Meu Princípio Fundamental

 

Isso mesmo vamos começar com meu Princípio Fundamental:

 

Ser Digital é o que nos torna capazes de, quase instantânea, gratuita e perfeitamente, nos conectarmos com pessoas, dispositivos e objetos físicos em qualquer lugar de forma mais distribuída e/ou descentralizada.

Eu mesmo,  adaptado de uma pesquisa do McKinsey Global Institute e de um monte de ideias que as pessoas estão postando por aí.

 

Interessante pensar que a melhor forma que encontrei de explicar esse princípio é retomar o conceito de Topologia das Redes, de Paul Baran que data de 1964.

 

Considere que cada ponto em cada um dos gráficos é uma pessoa. Note que as redes centralizada e descentralizada são aquelas que a gente está mais acostumado a ver por aí.

Por exemplo  considerando as mídias de massa  poderíamos dizer que o ponto central da rede centralizada pode ser um canal de televisão, um jornal, uma rádio transmitindo informações para todas as pessoas que estão em volta dela.

Se a gente olhar bem para a rede descentralizada, ela nos remete ao modelo de uma organização qualquer, uma empresa, uma igreja, um órgão público, quer dizer, cada um dos pontos centrais que conectam vários outros pontos poderia ser  uma diretoria, um setor, ou seja, um pequeno hub com pessoas orbitando em volta. Cada grupo, um pequeno silo de informações. Isso nos parece o normal, como fomos à vida toda acostumados a nos agregar.

Quando surge a internet e, principalmente as redes sociais, uma nova configuração de rede passa a prosperar, a rede distribuída, cujo conceito é que cada um dos pontos pode acessar e se conectar diretamente com qualquer um dos outros. De fato, o desenho aqui reproduzido é de certa forma “fake” pois como não há diferença na distância entre os pontos e cada um pode se conectar com qualquer outro, o desenho real da rede seria um emaranhado de segmentos que por sua densidade pintaria o gráfico todo de preto.

 

De uma maneira geral as redes sociais estão nos acostumando com esse modelo de rede distribuída mas essencialmente no que se refere a contatos pessoais. A maioria das empresas no Brasil e por consequência seus profissionais ainda não incorporaram essa mudança ao seu dia a dia no trabalho.

 

E por que é tão relevante a conexão distribuída? E o que isso tem a ver com o mindset digital?

Economia de Plataforma

Porque foi a conexão distribuída que viabilizou a Economia de Plataforma que é hoje a principal força que catalisa a revolução social que estamos presenciando e que afeta todas as áreas do conhecimento humano.

 

A disseminação de plataformas digitais que viabilizam a formação de redes sociais mais distribuídas, ganha cada vez mais predominância no novo cenário social, e as redes centralizadas e descentralizadas, estão perdendo cada vez mais espaço.

À medida que essas plataformas de redes sociais foram crescendo, bem como plataformas de marketplace como a Amazon e o Mercado Livre, elas permitiram que pequenos produtores pudessem se encaixar na plataforma e vender os seus produtos e serviços diretamente para o público em geral. Ainda que o endereço da plataforma possa ser considerado um hub, ela não restringe o acesso. Você pode acessar qualquer pessoa ou empresa.

No Facebook ou no Instagram você acha qualquer um e pode se conectar com todo mundo. É óbvio que conexão é uma via de mão dupla, você pode tentar se conectar mas quem está do outro lado tem que aceitá-lo.

Estamos falando de modelos de negócios que permitem que múltiplos lados (produtores e consumidores) interajam entre si, fornecendo uma infraestrutura que os conecta, sobre os quais eles podem construir e trocar valor, e governa o mercado que se aglomera sobre eles determinando quais interações são desejáveis e quais são indesejáveis.

 

Sangeet Choudary da Platformed.info

 

E  a partir desse novo contexto das redes distribuídas e da economia de plataforma surgiram quatro ideias-chave para experiências de serviços/produtos modernos:

 

  1. Queremos que os serviços sejam rápidos e de controle ágil como um passeio de Uber pode ser;
  2. Queremos que eles sejam personalizados como o mais recente modelo de tênis Nike onde podemos autoconfigurar vários componentes;
  3. Queremos que sejam relevantes como sugestões da Amazon;
  4. Queremos que sejam humanos como os chatbots com quem você pode se relacionar por linguagem natural ou, melhor, como o Host Airbnb que você pode falar via WhatsApp, sentindo que você realmente vai dormir na casa de um amigo.

 

Só que a evolução para esse modelo de negócio é difícil para quem ainda está atuando com certo sucesso no modelo de produção industrial.

Para que você possa entender o que os especialistas chamam de Economia de Plataforma e por que é tão revolucionária é preciso comparar os modelos de negócios tradicionais com aqueles desenvolvidos atualmente em plataformas digitais.

Fonte: Platform-Design-Tookit-Whitepaper

 

No modo de produção industrial característico do século passado, os meios de produção eram concentrados (fábrica) de modo a atender o mercado de massa. O modelo é intensivo em mão de obra e, em busca da economia de escala, oferece produtos e serviços padronizados. E pelo fato da padronização a maior parte dos trabalhadores atuam com uma parte de uma grande engrenagem.

Neste contexto o mais comum era o uso da estratégia de marketing Push (empurrar), também conhecida como marketing de interrupção, sendo o modelo preponderante nas mídias de massa como televisão, rádio, jornais, banners na lateral dos ônibus e ultimamente também em SPAMs que invadem nossa caixa de e-mails sem pedir licença.

As empresas produzem comerciais que bombardeiam nossas vistas com o objetivo de apresentar e fazer o mais conhecido possível um produto ou serviço para um público alvo, convencendo-o de sua necessidade pelo item em questão, normalmente interrompendo o consumidor no que ele está fazendo.

De modo geral, esse tipo de ação pretende capturar a atenção de alguém no meio de uma multidão, transmitindo a ação para todos independente se o público está interessado ou não em saber mais sobre o seu produto ou serviço.

Por isso a aplicação desse modelo demanda altos investimentos em publicidade para alcançar o maior número de pessoas possível e visa identificar e intensificar a divulgação dos produtos best-sellers  (mais vendidos) de modo que a taxa de conversão (isto é, a quantidade de pessoas que compram o produto em relação à quantidade de pessoas que veem o comercial) seja bem justificada.

Neste modelo é pouco provável que haja investimentos contínuos em inovação e produtos que gerem baixo volume de vendas. O negócio é manter o foco nos best-sellers e na melhoria contínua da sua linha de produção.

 

Fonte: Platform-Design-Tookit-Whitepaper

Até o surgimento da Internet estava tudo certo com o modelo PUSH pois as pessoas estavam acostumadas a consumir os conteúdos das mídias de massa e, por consequência,  os produtos e serviços padrão, mas agora o mundo mudou.

 

Os dispositivos digitais estão tomando o lugar antes ocupado pelas mídias tradicionais e neste espaço, anúncios de interrupção não tem tido vez pois o consumidor decide quando, onde e como consumir e a Internet se consolida como o principal meio de comunicação. Com um clique estamos dentro com outro caímos fora.

 

Hoje, grande parte dessas ações de interrupção são ignoradas pelo público que estão com a atenção voltada para outra atividade. Você usa bloqueador de pop ups?

 

Em um período de 10 anos (de 2004 a 2014), a Rede Globo viu cair 38% de sua audiência média.

 

Note que agora somos nós, os consumidores, que estamos com a faca e o queijo na mão pois uma vez que sabemos o que queremos basta acessar um mecanismo de busca na Internet como o Google, Bing, Yahoo para encontrar inúmeras opções e dentre elas, inclusive, plataformas interativas de comparação, avaliação e venda de produtos e serviços de todo tipo, muitas vezes realimentadas pelos próprios consumidores.

 

Uma vez que é o consumidor que vai em busca do que quer cabe aos negócios desenvolver o que é chamado de marketing Pull (puxar), ou seja, agora o modelo visa atrair somente pessoas que estão interessadas em nossos produtos ou serviços pois estão procurando por ele.

 

E exatamente pela centralidade nas demandas individuais de cada pessoa que está conectada em rede é que os modelos de negócio também estão cada vez mais distribuídos e suportados por plataformas digitais inteligentes as quais permitem que as organizações e até indivíduos captem essas demandas personalizadas e possam oferecer produtos e serviços sob medida.

 

Transição do mercado de massa para o mercado de nicho

Essa é a chamada transição do mercado de massa para o mercado de nicho que é muito bem explicada pelo gráfico da Cauda Longa, que mostra que poucos produtos genéricos de alta popularidade rendem, no acumulado, tanto quanto muitos produtos específicos com baixa popularidade.

Portanto todos nós podemos buscar e vivenciar experiências incríveis e cada vez mais personalizadas por meio das conexões distribuídas em plataformas digitais de engajamento. E de nada adianta a um colaborador de uma empresa tentar manter o modus operante de produtos e serviços genéricos.

Vivemos agora em um mundo de possibilidades de escolha como consumidores e de uma multiplicidade de ofertas como produtores. Por isso não existe mais um dia como o anterior e a essência dos negócios é inovar de forma contínua e sistêmica para atender as especificidades e expectativas cada vez mais exigentes de nossos clientes.

E cada um de nós e nossas empresas precisamos nos abrir para novos experimentos e colher todas os feedbacks que pudermos para antecipar a próxima mudança. Estressante não?

E como podemos transformar todas essas dificuldades em oportunidades? Respondendo nossa pergunta fundamental: Qual é meu problema? Tome consciência do seu Propósito e aprenda sobre Mindset Digital.

Os 4 Pilares do Mindset Digital

Por isso para darmos os primeiros passos em direção ao Mindset Digital precisamos entender que, apesar da tsunami de novas tecnologias (Inteligência Artificial, Blockchain, Chatbots,…), metodologias (Lean, Scrum, Ágil,Design Thinking…) e conceitos emergentes (Mundo VUCA, MVP, UX Design…), o potencial do Princípio Fundamental é revelado por meio da singularidade e propósito de cada um de nós ao:

  • Apropriar de tecnologias digitais para aprender de forma contínua com tudo e todos em busca de conexão e sabedoria;
  • Dominar nossas inclinações e paixões tornando-nos mais resilientes e fortes para desaprender e reaprender com humildade;
  • Trabalhar com dedicação, alegria e gratidão para nos sentirmos realmente ricos em propósitos,  conexões,  ações e resultados;
  • Honrar àqueles com quem nos conectamos para assim construir nossa reputação com ética e humanidade.

Afinal estamos falando de conectividade e ela, sendo via de mão dupla, só é possível pela aceitação do outro e pelo outro.

 

E, agora, finalmente posso apresentar meu conceito de mindset digital:

 

Mindset Digital consiste em atitudes mentais para encarar nossos desafios e resolver os problemas das pessoas com quem nos conectamos pela apropriação cocriativa das tecnologias digitais (metodologias e conceitos emergentes, inclusive), pela experimentação e pela busca do aprendizado contínuo em redes mais distribuídas e/ou descentralizadas.

 

Uffa!!! Se você chegou até aqui, sem dúvida está entre aqueles poucos que compartilham comigo a certeza de que o talento é um bom começo mas o esforço, o comprometimento, a aprendizagem contínua, a persistência e a busca incessante pela excelência determinam o sucesso.

Espero que após tudo o que vimos até aqui você entenda, de uma vez por todas, porque a apropriação ágil das novas tecnologias e a inovação sistêmica estão redesenhando nosso mundo e as relações entre governo, mercado, ciência e sociedade.

Nosso Ser Digital está imerso em um mundo aberto, navegando em múltiplos ecossistemas digitais. E o Mindset Digital se forma como uma viagem com vários objetivos intermediários interligados onde a construção das pontes corretas em função dessa viagem é a chave para o sucesso.

Minha pesquisa exploratória dos Ecossistemas Digitais à minha volta me conduziu à busca de uma organização lógica que me permitisse construir essas pontes e documentar a viagem e foi assim que cheguei aos 4 Pilares do Mindset Digital:

“A transformação digital acontece com a (1) transformação cultural capitaneada por uma (2) liderança empreendedora que induz, com (3) agilidade e metas claras, a (4) inovação e a evolução em seus ecossistemas e plataformas.”

Mas a ordem aqui proposta nada mais é que uma tentativa didática de apresentar de forma um tanto quanto linear essa aventura que toma caminho diversos conforme interagimos, aprendemos, desaprendemos e reaprendemos, principalmente quando nos damos conta de que a transformação digital já começou faz tempo e é necessário compreender o contexto para poder atuar.

No dia a dia essa organização mental tem me ajudado a simplificar a investigação dos problemas e soluções de projeto,  avaliando-os sob uma perspectiva de cada vez. Independentemente do contexto ou do meu papel no projeto, essas perspectivas me permitem ampliar o entendimento sobre o ecossistema digital a ser desenvolvido e a interagir com as demais partes interessadas com mais segurança e objetividade.

Mas deve estar óbvio para você que é a prática constante e consistente dos princípios e fundamentos é que irá te levar ao tão desejado desenvolvimento do Mindset Digital. Apesar de eu ter te apresentado um conteúdo bem abrangente o mais importante é a interação e conexão no dia a dia dos projetos. E isso só se aprende botando a mão na massa, diretamente no campo de batalha.

Espero que os conceitos abordados neste texto bem como as experiências compartilhadas possam iluminar seu caminho particular de investigação e descoberta. Exercite bastante sua singularidade e propósito para que  você possa vivenciar sua jornada como profissional digital e gerar valor real para você e para todos com os quais se conecta.

Porque não importa tanto sua área de atuação, se você é ou não um especialista em tecnologia ou se ocupa um cargo de liderança. Para se destacar no mundo digital é preciso sim de coragem para ser você mesmo, cada vez mais singular e autêntico.

Acompanhe nossos podcasts, acesse nosso canal no YouTube, acesse meu perfil no Instagram e me manda um direct para concorrer a uma hora de mentoria gratuita onde vou te ajudar a projetar sua carreira digital.

 

Tudo de bom,

Lorenzo Rodrigues

 

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